Mikko Hirvonen venceu o Rally de Monte Carlo na estreia do Ford Fiesta S2000. Bruno Magalhães foi sétimo, e o segundo melhor português de sempre na prova monegasca.
O Ford Fiesta S2000 estreou-se, logo a vencer e ainda para mais no mítico Monte Carlo. Se os homens da M-Sport não têm mãos a medir com os 20 carros já encomendados, que têm vindo a construir, com esta vitória bem podem alargar a fábrica.
Apesar dos muitos problemas de motor nos testes de preparação para a prova, a M-Sport parece ter encontrado o caminho, preparando um carro que não deu sinais de problemas, mesmo tendo de andar sempre a fundo, na luta pela vitória. Curiosamente, o mesmo não se passou com o segundo Fiesta S2000, que ficou pelo caminho logo no segundo troço com problemas de motor.
Mikko Hirvonen, no Ford, liderou desde a primeira especial, e com mais ou menos dificuldades, fruto das condições sempre inconstantes das estradas ao redor do Mónaco, venceu sem contestação, já que sempre que esteve pressionado, soube responder aos ataques dos seus adversários, voltando a aumentar a vantagem, nos três dias de prova. Para se atestar o bom estado do Fiesta S2000 no Mónaco, e que tão cedo não se deverá ver nos pilotos que o vão guiar no futuro, está o francês J. F. Maurin, que aos comandos do segundo Fiesta S2000, levou ’só’ um minuto na primeira especial.
Sébastien Ogier desistiu, mas o francês merecia pelo menos o pódio. Sébastien Ogier perdeu mais de dois minutos e meio devido a neve na estrada, e no último dia de prova chegou ao segundo posto a menos de 50 segundos do líder.
Juho Hanninen foi segundo, realizando aqui uma boa operação em termos de campeonato, já que Mikko Hirvonen vai disputar o WRC. O piloto finlandês perdeu claramente o duelo com Sébastien Ogier, e viu o segundo lugar cair-lhe do céu, mas mesmo assim teve um bom resultado em Monte Carlo num tipo de piso que não é claramente o seu.
Nicolas Vouilloz foi terceiro, e teve uma boa estreia com o Skoda Fabia S2000, ‘dizendo’ aos responsáveis da marca checa que podem contar com ele para mais provas. Assim, a Skoda tem dois carros nos três primeiros, o que é notável. O quarto foi Stéphane Sarrazin, que voltou a disputar a sua prova de eleição. Realizou uma boa exibição, sendo que o resultado é claramente marcado pelas duas ligeiras saídas de estrada no segundo dia de prova. Quando não se enganou nos pneus teve sempre andamento para andar na frente.
Jan Kopecky, noutro Skoda oficial, foi quinto, um resultado condicionado pelos dois furos logo no primeiro dia. A partir daí recuperou sempre, mas a classificação final só foi possível devido às desistências à sua frente. Em sexto ficou Guy Wilks, que acabou por beneficiar das condições das duas últimas especiais, para manter Bruno Magalhães atrás de si. Na estreia do Skoda Fabia S2000 da Peugeot UK, o piloto inglês mostrou que só na terra poderá andar ao nível dos homens da frente.
Bruno Magalhães foi sétimo, e alcançou em Monte Carlo a segunda melhor classificação de sempre para um piloto português. A melhor foi conseguida em 1951 pelo Conde Jorge Monte Real, que na altura teve como navegador Manuel Palma, aos comandos de um Ford 100CV, totalmente de origem, que foi segundo da geral.
O piloto português realizou uma prova cautelosa, passou todas as dificuldades, e ainda pôde divertir-se ao tentar ir atrás de Guy Wilks nas derradeiras especiais. Aí realizou o seu ‘mini’ Monte Carlo, e ficou a perceber a diferença entre a sorte de escolher bem ou não. Perdeu muito no Turini para Kopecky, e já não conseguiu recuperar uma diferença de sete segundos ao inglês no último troço, que lhe era, aparentemente, mais favorável.
Além da boa classificação, ficou a experiência acumulada, na certeza que sai de Monte Carlo mais ‘piloto’, pois agora os horizontes de Bruno Magalhães no que a dificuldades de uma prova diz respeito, alargaram-se imenso. Venha a próxima, na certeza que veremos o piloto português a rodar ao nível dos homens da frente.
Nota final para o magnífico Monte Carlo que o ACM colocou de pé. Afinal, e apesar dos adeptos dos ralis terem lamentado a saída da prova do WRC, os organizadores franceses sabiam bem o que estavam a fazer e venceram em toda a linha. A prova monegasca foi fantástica, teve uma cobertura televisiva sem paralelo na história dos ralis, num cenário absolutamente maravilhoso para a prática deste desporto.
Tendo em conta que as regras do WRC não o permitiam, o ACM fez uma prova sem a ‘camisa de forças’ habitual dos regulamentos do WRC até 2009, e levou os pilotos a sítios como Burzet, St. Bonnet le Froid e Turini.
Foram estes os 10 primeiros do Rally de Monte Carlo de 2010:
Pos Piloto Carro Tempo/Gap
1. Mikko Hirvonen Ford 4h32m58.5s
2. Juho Hanninen Skoda + 1m51.4s
3. Nicolas Vouilloz Skoda + 3m19.1s
4. Stephane Sarrazin Peugeot + 7m25.5s
5. Jan Kopecky Skoda + 8m48.7s
6. Guy Wilks Skoda + 9m24.5s
7. Bruno Magalhaes Peugeot + 9m45.4s
8. Jean-Sebastien Vigion Peugeot + 13m33.5s
9. Jaroslav Orsak Skoda + 21m16.6s
10. Andrej Jereb Peugeot + 25m26.1s
fonte (texto e imagem): http://autosport.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=as.stories/80952
classificação em: http://www.autosport.com/news/report.php/id/81031